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  • Rodrigo Moreira

Pilates e Sintomas de Depressão e Ansiedade

Por Maria Tereza Militão, Psicóloga e aluna do Körper Studio Pilates.


Joseph Pilates[1] afirma que o perfeito equilíbrio entre corpo e mente é aquela qualidade do homem civilizado que lhe dá superioridade em relação ao reino animal e lhe fornece poderes físicos e mentais indispensáveis ao alcance da saúde e da felicidade.

O significado do equilíbrio entre corpo e mente se expressa na saúde física, na felicidade mental e nas conquistas superiores do progresso humano. (PILATES, 2010, p.69).

Nem a mente, nem o corpo são superiores, isto é, um não é subordinado ao outro. Ambos precisam ser coordenados para se atingir o máximo de resultado com um gasto mínimo de energia: viver o maior tempo possível com saúde normal e desfrutando os benefícios de uma vida proveitosa.

Viktor Frankl[2] considera que o homem é um ser bio-psico-sócio-espiritual. É uma unidade de corpo, mente e espírito. Na dimensão espiritual manifestam-se os aspectos da liberdade e da responsabilidade humanas, estes aspectos lhe permitem tomar decisões, posicionar-se sobre o seu ser físico e psíquico. (FRANKL, 1994).


Método Pilates

Maria Militão[3], no seu Curso de Formação Completa em Pilates, conceitua o Método Pilates e explicita os seus princípios.

“É um método de condicionamento postural criado por Joseph H. Pilates que consiste em manter o perfeito equilíbrio entre mente e corpo, através de exercícios específicos (...) o praticante desenvolve coordenação motora, postura equilibrada, consciência corporal, fortalecimento muscular, flexibilidade, prevenção de lesões e alívio de stress” (2018, p,7).


Os princípios do método Pilates são:

  • Concentração: Pilates focava na importância de concentrar-se totalmente nos movimentos realizados, deixando qualquer distração de lado, para que não se perdessem os benefícios totais. A concentração é o caminho da integração entre corpo, mente e espírito. (Ibid. p.13)

  • Centralização: os movimentos acontecem do centro do corpo para as extremidades. (Ibid. p.13)

  • Fluidez: Os exercícios são sequencias de movimentos brandos, sem procedimentos bruscos, sem velocidade e nem lentos demais. Os movimentos são fluidos e suaves com total harmonia. (ibid..13)

  • Respiração: respirar de forma correta e saudável para maior oxigenação dos tecidos e organização corporal. Pilates dizia que ao inspirar e expirar completamente, o corpo seria purificado, como se fosse uma “ducha interna”. (Ibid. p14)

  • Precisão: priorizar a qualidade do movimento e não a quantidade. Todos os movimentos devem ser realizados com controle, evitando lesões e otimizando os resultados. (Ibid.p14).

Depressão e Ansiedade segundo a Terapia Cognitiva

Sobre a depressão

A Dra. Ana Maria Serra, no seu Curso de Introdução à Terapia Cognitiva, nos diz que as cognições, isto é, os pensamentos, a forma como percebemos uma situação, as representações ou imagens, a interpretação que damos à realidade determinam a qualidade e a intensidade das emoções e a forma do nosso comportamento. (SERRA, p. 23).

O conteúdo da depressão são os pensamentos negativos sobre si mesmo, sobre o mundo e sobre o futuro. Interpreta-se tudo segundo o viés da perda. A cognição (o pensamento) e não a emoção é considerada o fator essencial da depressão. Então, deve-se buscar formas alternativas de interpretação da realidade. (Ibid. p 27).

As crenças associadas à depressão são: sou incapaz, sou inadequado, não sou amado.

Alguns sintomas associados à depressão são: sensação de fracasso, perda de prazer, autocritica exacerbada, agitação, perda de interesses, sentimento de menos valia, perda de energia, irritabilidade, dificuldade de concentração, cansaço ou fadiga.


Sobre a ansiedade

O conteúdo da ansiedade é a superestimação das ameaças, a maximização dos riscos, a potencialização dos perigos, e por outro lado, a subestimação dos próprios recursos de enfrentamento da realidade. (Ibid. p.27).

Os pensamentos frequentes na ansiedade são: Será que...? E se...? Esses pensamentos geralmente projetam sempre um futuro catastrófico. A crença das pessoas ansiosas é: a realidade é ameaçadora e eu não tenho recursos para enfrenta-la. (Ibid. p. 40).

Alguns sintomas da ansiedade são: adormecimento ou formigamento no corpo, incapacidade para relaxar, medo que o pior aconteça, tontura, taquicardia, inquietude, sentir-se aterrorizado, nervosismo, sensação de sufocamento, sentir-se tremulo, medo de perder o controle, dificuldade de respirar, medo de morrer, assustado, desconforto abdominal, sensação de desmaio, face enrubescida, suor.


A atividade física Pilates e o alívio dos sintomas de depressão e ansiedade

A Terapia cognitiva sugere algumas estratégias que ajudam a diminuir ou remover os sintomas da depressão e ansiedade.

  • Técnica da distração: enfoque no objeto, ou seja, concentrar a atenção num objeto, observando os seus detalhes. Nas aulas de Pilates o aluno geralmente está em contato com um aparelho ou acessório e sob a orientação do professor realiza os exercícios.

  • Percepção sensorial: concentrar-se no ambiente ao redor utilizando os sentidos da visão audição, tato. O ambiente das aulas de Pilates é agradável, adornado com plantas; ouve-se música durante os exercícios; ouve-se a orientação do professor para compreender a sequencias de movimentos a serem executados. Sente-se o corpo em diferentes posições, em diferentes aparelhos, o que permite aflorar, aos poucos, uma consciência corporal.

Essas atividades ocupam o corpo, a mente e o espírito, promovendo o distanciamento dos pensamentos negativos, típicos da depressão e assim também evita-se a ruminação desses pensamentos.

Os sintomas de ansiedade geralmente diminuem ou desaparecem com os exercícios de respiração: inspirar e expirar, e o relaxamento decorrente dessa respiração controlada. A atenção com a respiração é intrínseca a todas as aulas de Pilates. Respirar calmamente e relaxar o máximo possível. A ansiedade e o relaxamento são incompatíveis. Ou você está ansioso ou você está relaxado.

A técnica “A refocalização é particularmente útil em situações nas quais a concentração é necessária para a tarefa em questão (...) refocalizar a tarefa imediatamente, isto é, deliberadamente voltar sua atenção para o que está fazendo.” (Beck, J., 1997, p.218). Estar presente naquilo que se está fazendo, por exemplo, a realização do exercício de Pilates. Viver o presente, ajuda muito na diminuição dos sintomas de ansiedade e também da depressão.

Pensamentos do tipo, vou errar, não conseguirei fazer os exercícios, geram ansiedade. Nas aulas de Pilates a proposta é fazer uma tentativa dentro das possibilidades de cada aluno, respeitando os seus limites, não se espera um desempenho perfeito.

Os exercícios de Pilates são executados de acordo com a capacidade de realização do aluno, o nível de dificuldade aumenta gradualmente, cada aluno realiza o exercício dentro do seu limite.

A realização dos exercícios e a postura do professor ajudam o aluno a desconfirmar pensamentos do tipo: eu não consigo fazer, nem vou tentar, eu nunca faço nada certo, o pior vai acontecer, eu vou errar.

Por exemplo, a apatia e baixa energia (sintomas físicos da depressão) podem estar associados à crença da pessoa de que ela está condenada ao fracasso em todos os esforços; (BECK, A. 1997, p11)[4]

Na medida em que o aluno realiza os exercícios, de acordo com suas possibilidades, ele desconfirma os pensamentos negativos da depressão e os pensamentos catastróficos da ansiedade. Na medida em que o aluno altera esses pensamentos, muda o seu humor, suas emoções e seus comportamentos associados a pensamentos e crenças do tipo: sou incapaz, sou inadequado, não tenho qualidades para ser amado, o pior vai acontecer.

Os alunos de Pilates constatam que a redução dos sintomas de depressão e ansiedade ocorrem por estarem momentaneamente distraídos de seus pensamentos negativos ou catastróficos. Os pensamentos desempenham um papel importante na manutenção desses sintomas. Mudando os nossos pensamentos, o olhar que temos sobre nós mesmos, e as aulas de Pilates contribuem de maneira eficaz para isso, nossas emoções, nosso humor e nossos comportamentos também podem mudar para além das aulas de Pilates, favorecendo uma nova ´postura diante de nós mesmos, do outro e da realidade.


Bibliografia consultada

BECK, Aaron T. et al. Terapia Cognitiva da Depressão. Porto Alegre: Artes Médicas, 1997

BECK, Judith S. Terapia Cognitiva – Teoria e Prática. Porto Alegre: Artes Médicas, 1997.

FRANKL, Viktor E. Em busca de sentido. São Leopoldo: Sinodal; Petrópolis: Vozes. 1994.

MILITÂO, Maria M. Curso de Formação Completa em Pilates. São Paulo: Korper Studio Pilates, 2018.

PILATES, Joseph H. A Obra completa de Joseph Pilates. São Paulo: Phorte, 2010.

SERRA, Ana M. Curso de Introdução à Terapia Cognitiva. São Paulo: Instituto de Terapia Cognitiva Dra. Ana Maria Serra, 2004.


[1] Joseph Hubertus Pilates (1880-1967), alemão. Autodidata em anatomia, fisiologia humana e fundamentos da medicina oriental. Mentor do método Pilates de condicionamento físico.

[2] Viktor Emil Frankl (1905-1997), austríaco. Filósofo e psiquiatra. Fundador da Logoterapia e Análise Existencial Frankliana

[3] Maria Militão (1979), brasileira. Educadora Física, pós-graduada em ginástica postural. Certificada em Pilates pela Polestar Pilates Education e pela Pilates Method Alliance. É da segunda geração do Método Pilates, discípula de Lolita San Miguel. Professora de cursos de pós-graduação em Pilates. Diretora técnica do Körper Studio Pilates em São Paulo.

[4] Aarom Temkin Beck (1921), norte-americano. Psiquiatra. Pai da Terapia Cognitiva.

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